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Poema: Pedra Filosofal

há 2 dias
2 min de leitura

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho (1906 —1997), conhecido pelo pseudônimo António Gedeão, foi um poeta e educador nascido em Lisboa que se destacou no panorama literário português.


No poema apresentado abaixo, o eu-lírico declara que os sonhos são o grande motor da vida. Quando damos asas à nossa imaginação, podemos iniciar novos caminhos para nós mesmos e até, quem sabe, mudar o mundo ao redor. Aborda a capacidade humana de transformar a realidade áspera e material através do sonho, da imaginação e da vontade de criar.


Assim, os versos de Gedeão nos incentivam a sonhar, não importa qual seja a nossa idade, com o entusiasmo e a curiosidade de uma criança brincando.



Pedra Filosofal


Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer,

como esta pedra cinzenta

em que me sento e descanso,

como este ribeiro manso

em serenos sobressaltos,

como estes pinheiros altos

que em verde e oiro se agitam,

como estas aves que gritam

em bebedeiras de azul.


eles não sabem que o sonho

é vinho, é espuma, é fermento,

bichinho álacre e sedento,

de focinho pontiagudo,

que fossa através de tudo

num perpétuo movimento.


Eles não sabem que o sonho

é tela, é cor, é pincel,

base, fuste, capitel,

arco em ogiva, vitral,

pináculo de catedral,

contraponto, sinfonia,

máscara grega, magia,

que é retorta de alquimista,

mapa do mundo distante,

rosa-dos-ventos, Infante,

caravela quinhentista,

que é cabo da Boa Esperança,

ouro, canela, marfim,

florete de espadachim,

bastidor, passo de dança,

Colombina e Arlequim,

passarola voadora,

pára-raios, locomotiva,

barco de proa festiva,

alto-forno, geradora,

cisão do átomo, radar,

ultra-som, televisão,

desembarque em foguetão

na superfície lunar.


Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.


Autor:

António Gedeão (Rómulo de Carvalho)

Nome Completo:

Rómulo Vasco da Gama de Carvalho

Gênero Literário:

Poeta

Nascimento:

24 de novembro de 1906, Lisboa, Portugql

Falecimento:

19 de fevereiro de 1997, Lisboa, Portugal

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